Estudo – Calvinismo x Arminianismo – Final

Neste último artigo sobre a polêmica Calvinismo x Arminianismo, vamos expor o nosso entendimento sobre o assunto.

Acredito que mesmo pego de surpresa, sem maiores referências ou anotações, seja possível ao defensor da doutrina do livre arbítrio sustentar a prevalência dessa sobre a calvinista, com apenas dois versículos bíblicos, quais sejam, João 3:16 que afirma “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (grifamos), e Atos 16:30-31 “Depois, trazendo-os para fora, disse: senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-lhe: crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.” (Bíblia Shedd), grifamos. Se necessário for uma concordância entre o Velho Testamento e o Novo Testamento, há que se olhar Ezequiel 33:11-16 e Deuteronômio 30:19.

Lado outro, quando analisamos o contexto dos Evangelhos, em particular no que se refere aos ensinamentos de Jesus, a Sua doutrina apontava claramente para o exercício do livre arbítrio. Em que pese argumentações contrárias, a parábola do Jovem Rico (Mt.19:16-22), da Ovelha Perdida (Mt.18:10-14), do Joio (Mt.13:24-30), das Dez Virgens (Mt.25:1-13), entre outras, apontam seguramente que o cristão tem sim a opção de escolher entre a vida e morte, benção ou maldição.

Ditas essas palavras, acredito sem a menor sombra de dúvida que a Salvação pode ser perdida. Entendimento balizado no calvinismo, salvo melhor juízo, é diminuir a Justiça de Deus em relação à justiça do homem. Explico.

A Palavra do Senhor nos afirma em Isaias 49:15-16, que ainda que uma mãe se esqueça de seu filho que está amamentando, Deus não se esquece dele. Se há um amor que possa ser parecido com o que Deus sente por nós é o amor de uma mãe por um filho. Só que o amor de Deus é infinitamente maior. Ninguém pode conceber uma mãe em perfeito estado de saúde física e mental capaz de rejeitar a seu próprio filho. Uma mãe que tendo dois filhos, ama um e despreza outro.

Toda nossa natureza, entendimento e senso sobre amor, justiça, bem, mal, etc, provém unicamente de Deus. Temos uma pequena parcela da sabedoria do nosso Criador, do verdadeiro amor, da verdadeira justiça, etc. Não somos capazes de entender o tamanho desses sentimentos na visão de Deus, simplesmente porque são maximizados em relação aos nossos. Se uma mãe não tem coragem de criar um filho para amar e outro para odiar, rejeitar, o que esperar de Deus? A Palavra nos diz que o amor do nosso Senhor Jesus nos constrange, isso porque é infinitamente maior do que qualquer coisa que possamos esperar ou imaginar (2Co 5:14).

Todo nosso entendimento sobre a natureza de Deus representa apenas uma pequena parcela do que realmente é. O amor de Deus, pela lógica da própria Divindade só pode ser entendido e admitido como infinitamente maior em relação ao que sentimos de mais puro, jamais diferente.

Por isso, acredito que se entendêssemos que Deus pudesse criar pessoas predestinadas à perdição, ao fogo eterno, estaríamos reputando Seu amor como sendo diferente, inferior ao nosso e não o contrário. Não que Deus não possa criar pessoas predestinadas à morte. Ele é Deus e pode fazer o que bem quiser. Simplesmente isso não combinaria com a Sua grandeza, amor e justiça descritos na Bíblia. E o Senhor é Deus de paz, clareza, não de atritos, confusão (1Co 14:33).

Deus nos oferece a oportunidade de sermos salvos. Apesar de não termos mérito para o recebimento da Salvação, haja vista a natureza pecaminosa do homem, ela vem como um presente de Deus, pela graça, oferecida a todos. Da mesma forma que pode ser aceita, pode ser deliberadamente rejeitada. Mas, se aceita, não há pecado (ou coleção deles) no mundo que o nosso acusador possa lançar contra nós que resista a Graça de Deus, ao sacrifício de sangue feito por Jesus Cristo a nosso favor (glória a Deus!)!!! Aí está, no meu ousado entender, data venia, o correto entendimento sobre a “irresistibilidade da graça”. E tal entendimento é pautado na Palavra de Deus, na medida em que onde abundou o pecado (ação limitada humana), superabundou a graça (ação maximizada de Deus, a “irresistibilidade” da graça) (Rm.5:20).

Por outro lado e fundamentado nas Sagradas Escrituras, penso que Deus nos concebeu a todos para a Salvação, ou seja, que é Seu desejo mais profundo que todos sejam salvos e vivam em total harmonia com Ele. Todos fomos escolhidos para sermos salvos, porém, podemos rejeitar essa dádiva. Assim, devemos fazer nossa parte no que toca o verdadeiro arrependimento dos nossos pecados e procurarmos não repeti-los; devemos aceitar e crer no Filho de Deus e no Seu sacrifício espontâneo feito na cruz. E é justamente nesses atos pessoais, de arrependimento e aceitação, onde age o livre arbítrio de cada um de nós, tendo em vista que nada que provém de Deus é forçado. Assim, temos a escolha de crer ou não em Jesus Cristo, aceitar ou não a Salvação que dEle provém.

Agora é com você. Qual a sua posição sobre o tema?

Pastor Evangélico, Advogado, Conferencista Internacional, Facilitador em Treinamentos Empresariais, Empresário, Life, Executive & Professional Coach, Problogger.

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