Estudo – Calvinismo x Arminianismo – Parte 1

Introdução

O presente estudo tem como objetivo abordar dois temas polêmicos, interessantes e de grande importância para o estudante de teologia, quais sejam a doutrina da Predestinação, de João Calvino, ou simplesmente “calvinismo”, e o Livre Arbítrio, de Jacobus Arminius, conhecida por “arminianismo”.

Verifica-se que são temas opostos, controversos, havendo defensores nas duas vertentes, ou seja, é possível encontrar parâmetros bíblicos para defesa tanto de uma quanto de outra tese.

Apesar de cada assunto poder ser desenvolvido completamente isolado do outro, há de se convir que convergem sobre o mesmo tema, que é o núcleo da Salvação, sendo forçoso que a adoção de determinada linha de pensamento, leva à exclusão da outra.

Sem a menor pretensão de ser profundo nas proposições tratadas, esperamos que o presente trabalho introdutório sirva para dar uma visão geral e clarear as ideias, onde aconselhamos ao leitor outras pesquisas em literatura mais ampla para formar sua própria convicção.

Sobre o Calvinismo

Em pesquisa feita na “Barsa CD”, encontramos uma pequena biografia sobre João Calvino, que entendemos aqui citar:

Calvino, João

Entre os teólogos do início do protestantismo, João Calvino destacou-se pela capacidade de organização política e eclesiástica. Sua influência foi decisiva para a difusão do movimento na Europa, América do Norte e outras regiões do mundo.

Calvino, cujo nome francês era Jean Cauvin ou Calvin, nasceu em Noyon, na Picardia, norte da França, em 10 de julho de 1509. Filho do secretário episcopal daquela cidade, cursou humanidades em prestigiosos colégios de Paris, após o que estudou direito nas universidades de Orléans e de Bruges, onde teve por mestres eminentes pensadores da época. Em 1532, Calvino demonstrou seus conhecimentos de latim e história organizando a publicação de um tratado de Sêneca, De clementia (Sobre a clemência).

Pouco depois, Calvino converteu-se ao protestantismo, mas, quando seu grupo de teólogos reformados foi declarado ilegal na França, ele deixou Paris. Em princípios de 1535, instalou-se na Basiléia, Suíça, onde no ano seguinte publicou sua obra fundamental, Christianae religionis institutio (Instituição da religião cristã). Tratava-se de um brilhante resumo das doutrinas protestantes, em que, entre outros temas, afirmava a predestinação dos eleitos, rechaçava a versão católica dos sacramentos e esboçava um esquema de organização para a nova forma do cristianismo. Com essa obra, traduzida para o francês em 1541, Calvino se tornou um dos principais teólogos protestantes.

Ainda em 1536, na volta de uma curta viagem à Itália — onde demonstrou seu talento político, atraindo para o protestantismo homens poderosos — recebeu um convite para permanecer em Genebra, que acabara de aderir ao protestantismo, em decorrência de uma rebelião dos cidadãos contra o bispo, mas carecia de doutrina e de organização. Calvino ficou naquela cidade por dois anos, mas elaborou um código litúrgico e moral tão severo que acabou sendo expulso pelo conselho genebrino.

De 1538 a 1541 residiu em Estrasburgo, onde reformou a liturgia e as instituições paroquiais, ao mesmo tempo que dirigia pessoalmente uma congregação. Nesses anos participou de vários conclaves entre católicos e protestantes e conheceu importantes teólogos luteranos como Melanchthon e Martinho Lutero.

Entrementes, Genebra debatia-se entre o caos interno e a ameaça católica externa, e acabou chamando Calvino de volta. Aplicando suas austeras ideias religiosas, o reformador organizou a igreja de Genebra através das Ordenações eclesiásticas, que seriam adotadas em todas as igrejas do protestantismo reformado. Nos anos seguintes, após eliminar seus opositores — sem hesitar em executá-los, quando considerava necessário –, Calvino converteu-se em governante absoluto de Genebra, tanto sob o aspecto religioso como sob o político e o econômico.

A partir de 1550 dedicou-se principalmente a apoiar outros grupos protestantes afins e a tornar mais coerente sua doutrina. Em 1559 foi publicada a versão latina definitiva das Instituições — um ano depois sairia a edição francesa, em que estabelecia suas divergências teológicas com o luteranismo. Sob sua influência e a da academia que fundou em Genebra, esta cidade tornou-se o principal centro do protestantismo europeu. Calvino morreu em Genebra a 27 de maio de 1564. Mesmo após sua morte, as igrejas reformadas mantiveram-se em contínua expansão.©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.” (1)

Segundo a mesma fonte de pesquisa, sua doutrina teológica básica é:

O homem sob o peso de Deus. A doutrina de Calvino se polariza na soberania de Deus: “Toda glória a Deus.” A justificação e a santificação do homem são obras exclusivas de Deus, que predestina alguns para a salvação “antes de levar em conta seus méritos” futuros e o faz concedendo-lhes graças eficazes e irresistíveis que lhes permitem perseverar até o fim. Qualquer contribuição humana diminuiria a soberania absoluta de Deus. Assim, Calvino também teve de admitir que os pecadores, os condenados, não haviam escapado à eficaz vontade divina: Deus os havia predestinado à destruição, antes de prever seus pecados e, no calvinismo mais rígido, antes mesmo de prever o pecado original de Adão no Paraíso. Pela doutrina calvinista, só se admitem dois sacramentos: o batismo e a eucaristia, mas seu caráter é meramente simbólico e não proporciona a graça.

O conhecimento do homem nada mais é que as idéias infundidas nele por Deus, que é a “única fonte da verdade” e princípio real das ações humanas. O homem é um tão-somente um instrumento dos desígnios divinos.©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.” (2)

Apoiado nessa doutrina, encontramos na Internet um interessante texto de César Francisco Raymundo, que vale a pena citar:

A Bíblia como um todo está repleta de textos que provam que o cristão jamais pode perder a salvação. São textos que falam da soberania de Deus em guardar, proteger, fortalecer e santificar os que crêem nEle. Esta promessa que a Bíblia Sagrada traz em seu conteúdo é feita pelo próprio Deus. O Senhor Jesus como Salvador desempenha a função não somente de salvar dos pecados passados dando a vida eterna, mas também de guardar dia a dia do poder do pecado, da influência de Satanás e dos perigos que rodeiam às suas ovelhas. O Senhor Jesus Cristo é o Supremo pastor que ama suas ovelhas e nenhuma permitirá que se perca. Se o cristão se perdesse novamente, haveria somente dois fatores que poderiam fazê-lo perder a salvação: o fator interno e o fator externo. Caso fosse possível a perda da salvação através dos fatores interno e externo, o crente seria conduzido para somente uma direção – a apostasia. A apostasia seria o único pecado cometido por um cristão que faria com que ele perdesse a salvação, pois tal pecado é a renuncia e o abandono absoluto da fé em Cristo. Os demais pecados seriam apenas agentes que conduziriam o cristão ao esfriamento na fé e por fim ao pecado principal que é a apostasia. Veja o leitor, que se fosse possível à perda da salvação, isto seria um processo até chegar à apostasia e não simplesmente por qualquer pecado cometido. O fator interno seria a disposição interior da própria pessoa, que pela sua própria vontade (ou livre arbítrio) abandonasse a fé em Cristo. Já o fator externo seria Satanás pelo seu poder e astúcia, usar de algum meio para conseguir tirar o cristão da fé em Cristo. Uma vez que Satanás vem para roubar, matar e destruir, ele poderia roubar a salvação do cristão. Para isto usaria de várias artimanhas, tais como: perseguições, ofertas tentadoras, mundanismo, riquezas e etc. O fator externo é qualquer coisa que vem do mundo, da carne e do diabo. Nenhum desses dois fatores é capaz de fazer o cristão pecar fazendo-o perder a salvação.” (3)

Na próxima postagem, continuaremos com o tema falando do Arminianismo. Não percam!

Bibliografia:

(1) ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

(2) ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

(3) Raymundo, César Francisco – Salvação Não Se Perde… É Eterna, 2ª ed. Revista e Ampliada, pág.19. Em http://www.revistacrista.org/livrariavirtual.htm

Pastor Evangélico, Advogado, Conferencista Internacional, Facilitador em Treinamentos Empresariais, Empresário, Life, Executive & Professional Coach, Problogger.

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