Estudo – Calvinismo x Arminianismo – Parte 2

Na continuação do nosso estudo, falaremos um pouco sobre o arminianismo.

Sobre o Arminianismo

Não obstante as ponderações acima, devidamente fundamentadas, com todo respeito que merecem, permissa venia, nos sentimos inclinados ao entendimento que mais acertada é a doutrina do “livre arbítrio”, dentro da limitação do raciocínio humano, pelo fato de que quando analisamos o contexto de toda a Bíblia, percebemos que a Salvação é um ato de escolha pessoal, ou seja, pode ser aceita ou rejeitada. Além disso, uma vez cumpridos os requisitos que permitem concluir que determinada pessoa esteja salva em determinado momento, Deus nos mostra que ela deve perseverar na fé, afim de permanecer salva. A perseverança na observância aos preceitos de Deus é que nos garante a Salvação. Uma vez que a pessoa opte em deixar de seguir tais regras, fica exposta a perda de todas as promessas de Deus em sua vida, inclusive, a da vida eterna.

Segundo a Enciclopédia Barsa, o arminianismo foi criado por Jacobus Arminius:

Jacob Harmensen, teólogo holandês. Pastor em Amsterdam, divergiu do calvinismo e fundou o arminianismo, seita em que os benefícios da graça são oferecidos a todos, em oposição ao princípio calvinista da condenação predestinada. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.” (4)

Ele apresentou a perspectiva que a soberania de Deus em fato elegeu o homem a ser salvo. No entanto, ele pensou que a eleição seria baseado na onisciência de Deus de quem poderia por fé aceitar a Cristo e quem poderia rejeitá-lo. Todos os homens, pensou ele, poderia ser salvo na condição de exercitarem sua vontade e crerem no Senhor Jesus Cristo. Ele rejeitou a idéia de que a expiação dos pecados fora limitada a apenas a poucos e que Deus fora o autor do pecado. Arminius insistiu que Cristo morreu por todos os homens e salva a todos os que O aceitam por fé.

Arminius, no entanto foi fraco, na área bíblica da doutrina “Segurança Eterna do Crente”. Segurança eterna significa, que uma vez salvo, o homem não pode perder a salvação. Arminius pensava que as Escrituras não era clara e que a Bíblia parecia ensinar aos crentes que a salvação poderia ser perdida.” (5)

Vejamos os argumentos de Eduardo Joiner, os quais concordamos plenamente:

Cremos que o santo, o cristão, pode cair e cair de modo a perder-se para sempre, porque assim diz o Senhor: ´Desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, e fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as suas justiças que tiver feito não se fará memorial; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá.´ (Ez 18:24. Pelo versículo 26, percebe-se que Deus está falando da morte eterna. O teor geral do capítulo, que é destinado a provar que ´a alma que pecar, essa morrerá´ (v.4), indica que o justo pode retornar ao pecado, e se não se arrepender dele e não o abandonar, e morrer nele, terá como resultado disso a morte eterna.

(…)

Ezequiel declara o justo juízo de Deus contra todo o homem que se afasta de Sua Justiça. O salmista declara a boa vontade que Deus jurou demonstrar a Davi: ´Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi; com ele, a minha mão ficará firme, e o meu braço o fortalecerá […] E conservarei para sempre a sua descendência; e, o seu trono, como os dias do céu´ (v. 20, 21, 29). Não é difícil perceber que a promessa aqui diz respeito unicamente a Davi e à sua semente. Ainda assim, a benção era condicional. E, no versículo 38, lemos que Deus rejeitou  o seu ungido por causa do pecado.” (6)

É indiscutível a clareza Bíblica sobre as diversas oportunidades em que podemos encontrar o risco da perda da Salvação. Tais textos nos mostram que essa afirmativa é verdadeira de forma tácita e expressa nos Textos Sagrados. Citamos, pois, João 6:39. Vejamos:

Jo 6.39 E a vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum eu não perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. (7)  – grifamos.

Percebemos que a vontade de Deus é que todos se salvem. Apesar da indiscutível soberania de Deus sobre todas as coisas, o Seu desejo é que nenhum se perca. No nosso entender, essa “vontade” de Deus é permissiva, não soberana. Da mesma forma que todas as coisas acontecem com o ser humano, seja sob a vontade permissiva (como o caso de Jó, quando Satanás se levantou contra ele, debaixo da permissão e dos limites determinados por Deus), seja sob a vontade soberana e absoluta do Pai, como por exemplo, quando Jonas foi “convencido” a ir para Nínive. Assim, entendemos que todas as coisas estão sob a vontade de Deus, seja ela absoluta ou permissiva.

Em Jo 8:11 percebemos claramente que Jesus está sempre disposto a nos perdoar. Sua misericórdia é algo inexplicável! No entanto, nos adverte: “não peques mais”.

Dessa forma, a salvação veio para toda a humanidade, ou seja, todos temos a possibilidade de ganhar a vida eterna por meio da fé no sacrifício expiatório de Jesus, porque o amor de Deus é extensível a todos, e é nesse sentido que deve ser feita a leitura do texto acima.

O nosso Pai não quer que nenhum se perca. E sendo essa é a vontade do Criador, nos parece que a melhor interpretação seja a “vontade permissiva”, não cabendo, nesse caso, uma interpretação de “imposição” ou “predestinação”, havendo espaço para o homem escolher a graça da Salvação ou não.

Nesse passo, “todos” (a humanidade), fomos dados a Cristo. E é vontade do Pai que nenhum se perca, mas, tal fato pode suceder.

Em João 17:12, temos outro texto o qual usamos para continuar nossa fundamentação:

Jo 17.12 Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e pretegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. (8)

Numa rápida leitura pode-se ter a falsa impressão de que o texto acima trata de balizar justamente a doutrina da predestinação, o que de maneira nenhuma pode ser considerado verdade.

Ora, Jesus está claramente falando da pré-ciência, do conhecimento antecipado que Deus possui sobre todas as coisas. E em se tratando disso, um foi dado a Jesus e ele se perdeu, o que reforça claramente a doutrina arminiana!

Quando da visão de todos os fatos que estavam por vir, sabia-se que um se perderia (Judas Iscariotes) e tal fato foi profetizado no Salmo 41.9. A revelação é uma informação antecipada dada por Deus sobre um fato futuro previsto, não que seja pré-determinado no sentido de traçado por Deus (apesar dEle ter capacidade para isso), porque não foi debaixo da vontade absoluta (imposta) e sim da permissiva, tudo isso em razão da Onisciência de Deus. A princípio, Judas foi chamado e seguia Jesus, aprendia seus ensinamentos, mas, em determinado momento deixou-se corromper sob os argumentos de Satanás e caiu em desgraça, não porque Deus o quis, mas porque permitiu que assim o fosse.

Em Hebreus 10:26-27, o nosso ponto de vista é reforçado:

Hb 26 Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; 27 pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. (9)

A clareza da preponderância do livre arbítrio sobre a predestinação é patente. “Deliberadamente”, segundo nosso entender, diz respeito à escolha própria, aquilo que é decidido segundo a nossa própria vontade.

Bibliografia:

(4) ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

(5) III, Cooper P. Abrams. Predestinação Versos Livre Arbítrio.

(6) Joiner, Eduardo. Manual Prático de Teologia. Rio de Janeiro, 2004. Central Gospel. Págs. 446 e 447.

(7) Bíblia Shedd. Traduzida para o português por João Ferreira de Almeida. 2ª ed. Revista e Atualizada. Pág. 1495.

(8) Bíblia Shedd. Idem . Pág. 1517.

(9) Bíblia Shedd. Idem . Pág. 1719.

Pastor Evangélico, Advogado, Conferencista Internacional, Facilitador em Treinamentos Empresariais, Empresário, Life, Executive & Professional Coach, Problogger.

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