Estudo – Calvinismo x Arminianismo – Parte 4

Na quarta parte do nosso estudo Calvinismo x Arminianismo, faremos breves considerações sobre o Livre Arbítrio.

Livre Arbítrio

Livre arbítrio nada mais é, segundo o nosso entendimento, do que a capacidade que cada ser humano tem de tomar as suas próprias decisões, escolher seus próprios caminhos, o que não significa a total ausência da interferência de Deus. Sendo Deus Onipotente, ou seja, detentor de Todo o Poder, tem a capacidade para interferir a qualquer momento, quando bem entender, mas, assim não O faz, desejando que Seus filhos escolham por si mesmos, por amor, os melhores caminhos que levem até Ele.

A doutrina do livre arbítrio, no nosso entendimento, coloca em harmonia o bom senso humano com a Justiça Divina.

Segundo Eduardo Joiner:

Agente quer dizer um ente que age. O agente moral é um ente que age em obediência ou desobediência a uma lei, regra ou padrão de conduta. Um agente moral e livre é um ente que age com relação a uma lei, obedecendo ou desobedecendo, sem ser obrigado a agir desse modo e com pleno poder de escolher o curso diametralmente oposto daquele que determinou seguir.

A doutrina da livre agência, ou do livre-arbítrio, é a única que concorda com a responsabilidade. Para que um agente seja responsável por qualquer ato ou estado, é necessário que tenha o poder de cometer o ato ou produzir o estado contrário.”  (14)

Interessante é o ponto de vista de César Francisco Raymundo, que certamente vale a citação:

Quando se fala em livre-arbítrio, não queremos dizer que o homem possui capacidade para arrepender-se, converter-se, salvar-se e etc. Devido à depravação humana por causa do pecado, ter livre-arbítrio é apenas capacidade de escolha quando lhe é oferecido Cristo. Nesta situação o homem possui livre-arbítrio. Do contrário, sem a revelação da graça de Deus, o homem é escravo do pecado e só é livre para fazer o mal (João 8:34-36). Ter capacidade de escolha não é ter poder para efetuar a escolha. Por exemplo, uma pessoa paraplégica não poderá correr cem metros, mesmo que ela decida correr. Assim, o pecador não pode encontrar o verdadeiro Deus mesmo que decida encontra-LO, porque seu estado depravado não o permite, e assim ele precisa da revelação Divina. O fato do homem não ter total livre-arbítrio faz com ele que na verdade, não tenha livre-arbítrio. Não é errado se declararmos que o homem não possui livre-arbítrio. O total livre arbítrio envolve a liberdade total para por conta própria, ter iniciativa e autodeterminação. Infelizmente, o ser humano não possui essas credenciais, pois está morto espiritualmente.         

A parábola do filho pródigo (que é o retrato fiel de todo pecador) nos ensina que o filho pródigo esteve morto durante todo o tempo em que esteve longe do Pai celestial: “Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”. (Lucas 15:32). E mesmo estando morto espiritualmente, o filho pródigo pôde escolher voltar-se para o Pai celestial: “Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome!” (Lucas 15:17). É interessante a expressão “caindo em si”. É isto uma prova de que todo pecador mesmo estando morto espiritualmente, poderá cair em si. Mas, isto só é possível mediante a revelação do Espírito Santo que o convence de seu pecado. Paulo deixa claro que a circuncisão do coração só acontece quando Cristo faz a obra (Colossenses 2:11-13).” (15)

Depois de um atento estudo à Palavra do Senhor, nos colocamos a acreditar no livre arbítrio no sentido de que a graça da Salvação nos é oferecida a todos, mas, haverão aqueles que a aceitarão, bem como aqueles que, mesmo depois de ouvi-la e compreendê-la, poderão rejeitá-la.

Em Atos 17:30-31, somos exortados ao arrependimento para que todos sejamos Salvos. Deus não leva em conta os tempos da ignorância, do desconhecimento da Sua Palavra. Porém, depois de conhecê-la e livremente rejeitá-la, não há mais que se falar em Salvação.

Em 2Pedro 3:9, o Senhor não quer que ninguém se perca, mas, se a pessoa não se arrepender dos seus pecados, o que é um ato puramente pessoal, nada mais há o que se fazer, não haverá esperança.

Verificamos, portanto, em diversos textos bíblicos, a evidência do livre arbítrio, onde fica claro que Deus nos deu a opção de aceitar ou não os seus ensinamentos, bem como a Seu Filho, Jesus Cristo, como único Senhor e suficiente Salvador de nossas vidas. E rejeitar essa visão e doutrina da capacidade da livre escolha é rejeitar a própria Palavra de Deus.

Continua…

Bibliografia

(14) Joiner, Eduardo. Manual Prático de Teologia. Rio de Janeiro, 2004. Central Gospel. Págs. 307 e 308.

(15) Raymundo, César Francisco – Predestinação e Livre Arbítrio. Pág.30.

Pastor Evangélico, Advogado, Conferencista Internacional, Facilitador em Treinamentos Empresariais, Empresário, Life, Executive & Professional Coach, Problogger.

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