A Genealogia de Jesus – Uma Mensagem de Natal Diferente

Posso adiantar que esta não é uma mensagem do tipo “tradicional” que se costuma ler na época do Natal. A começar pelo texto sobre o qual refletiremos, que está em Mateus 1:1-16. Como é um tanto extenso peço licensa para não transcrevê-lo aqui, mas fique a vontade para acompanhar diretamente na sua Bíblia.

A passagem citada fala sobre a linhagem de Jesus. Pensei neste tema de propósito porque a genealogia está ligada ao nascimento e às origens de uma pessoa. E como no Natal comemora-se o nascimento do Salvador (apesar de muito dificilmente ter nascido nesta data), nada mais propício do que falar sobre uma passagem que é particularmente deixada de lado nas pregações cristãs.

Sem dúvida esses versos continuam tão importantes nos dias atuais quanto eram na época em que foram redigidos. Particularmente, posso citar pelo menos três fatos que demonstram a sua relevância.

Em primeiro lugar, garante a realeza de Jesus como sendo da família de Davi. Como dissemos na mensagem Do Que Falam os Evangelhos?, o Texto de Mateus foi escrito visando principalmente convencer o povo judeu que o Cristo era, por direito, merecedor do trono, e que cumprira tudo que os profetas haviam dito sobre Sua pessoa.

Diferentemente do que acontece na nossa cultura ocidental, para um judeu cético a ascendência de uma pessoa é algo de extraordinária importância. Principalmente no que tange ao tão esperado Messias. Afinal de contas, Deus, por meio dos profetas, já havia garantido pelo menos mil anos antes que o Salvador viria do trono de Davi (2 Samuel 7).

Por outro lado, Jesus não era o único em seu tempo que dizia ser o Messias, fato esse que por si só exigia um maior cuidado dos zelosos pela Palavra de Deus. Haviam muitos impostores que alegavam ser o Prometido de Israel. Como saber em quem acreditar? A resposta é óbia: verifique quem são os seus pais. Se não é da casa de Davi, então não pode ser quem diz. Por isso, Mateus inicia expressamente afirmando que Jesus era judeu (outra condição específica) ao dizer que era filho de Davi, filho de Abraão, com quem Deus fizera a aliança inicial. Uma vez estabelecida a descendência literal do Rei Davi, a pureza do sangue real estava confirmada, o que ratificava o direito ao trono.

Em segundo, demonstra o momento histórico do Salvador.

Em Gálatas 4:4, está escrito: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”. Essa passagem nos passa a ideia de adequação temporal. Ou seja, era o momento certo para que Jesus viesse. Deus havia preparado cada detalhe histórico e enviou o Seu filho quando o mundo estava em expectativa sobre algo que poderia acontecer a qualquer instante.

Historiadores dizem que as religiões grega e romana também tinham esperança de que um libertador viria do céu. Os persas, por sua vez, sabiam que o tempo havia chegado. Os judeus estavam convictos que, segundo os profetas, a aparição do Ungido era iminente. Havia um desejo profundo no coração da humanidade que surgisse alguém para mudar radicalmente o mundo. Não era uma espera consciente, mas o anseio estava lá. E foi nesse cenário, no momento correto, a chegada do Senhor Jesus.

Por outro lado, o fato de ter nascido em uma família humana, com pais de carne e osso que também tinham a sua própria história, demonstra que Jesus não foi um ser ficcional como acontece com os deuses da mitologia grega. E mais, quando combinamos os textos de Mateus 1:1-16 com Gálatas 4:4, temos a certeza que por traz de todos os acontecimentos estava Deus a controlar todo o processo.

A terceira relevância que podemos encontrar é o fato de ser uma crônica do favor imerecido que recebemos de Deus.

Se fosse possível estudarmos em profundidade e separadamente cada um dos nomes que aparecem, chegaríamos à conclusão de que Deus reuniu um amontoado de gente realmente problemática. Não sabemos muita coisa sobre todos aqueles personagens, mas, dos quais a Bíblia relata, as falhas são notáveis. Abraão, por exemplo, mentiu sobre sua esposa para evitar correr perigo de morte. Isaque, seu filho, fez exatamente a mesma coisa. Jacó era um enganador nato. Judá, entre outros problemas de caráter, foi o principal a convencer seus irmãos a venderem José (também seu irmão) como escravo para os ismaelitas. Davi foi covarde e adúltero, e Salomão, seu filho polígamo. Manassés praticava feitiçarias, era idólatra e foi o pior dos governantes de Judá. E por aí vai…

Sem dúvida não é uma lista muito adimirável. Na verdade passa longe disso. Os melhores destes homens tinham várias falhas e nos piores é impossível encontrar pontos positivos. Mas, se eram tão ruins, como podemos ver a graça de Deus em suas vidas? Simples. Nenhum deles merecia o privilégio de estar presente na ascendência de Cristo, assim como nenhum de nós merece a Salvação que Ele nos proporciona. Naquela lista, entre outros, há assassinos, mentirosos, trapaceiros, adúlteros, o mesmo tipo de caráter que encontramos nas pessoas dos dias de hoje. Não melhoramos, muito menos evoluímos com o tempo. Por si só, por mais piedosos ou caridosos que sejamos é impossível alcançar a Salvação, porque os padrões de Deus são altíssimos. Por isso está escrito que fora de Jesus não “há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos” (Atos 4:12).

A manifestação da graça teve início muito antes de Jesus. Começou na vida de todos aqueles pecadores e continua a extender-se a nós.

Neste ano, que esta mentalidade salvadora faça parte das comemorações do dia 25. E tenha verdadeiramente um Feliz Natal!

Pastor Evangélico, Advogado, Conferencista Internacional, Facilitador em Treinamentos Empresariais, Empresário, Life, Executive & Professional Coach, Problogger.

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