Do que falam os Evangelhos?

Talvez você não saiba, mas cada um dos evangelhos foi escrito com um propósito certo, visando atingir públicos distintos.

São chamados sinóticos os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, devido as grandes semelhanças entre eles. Já o Evangelho de João demonstra Jesus com inequívoco caráter divino. Vamos, hoje, conhecê-los um pouco melhor.

Mateus

Acredita-se que tenha sido escrito entre 60 e 65 d.C. Não existem fatos que possam comprovar com segurança, mas, segundo a tradição, tem-se aceitado que foi o primeiro dos Evangelhos a ser escrito.

Ainda, segundo a tradição, a igreja atribui a Mateus, o antigo cobrador de impostos, a autoria deste Evangelho.

O Evangelho de Mateus foi escrito voltado aos Judeus, sendo possível perceber que os ensinamentos relatados têm a preocupação de demonstrar àquele povo que Jesus era de fato o Messias. Tal assertiva é corroborada quando percebemos a preocupação em diversas passagens, de se demonstrar as citações feitas pelos profetas que já eram conhecidos dos judeus, tais como Isaías e Jeremias. É enfatizado que Jesus veio para dar cumprimento às profecias messiânicas, sendo verdadeiramente Jesus o cumpridor do que fora antes prometido. Como exemplo, podemos citar as passagens 1:22-23, 3:3, 8:17, entre outras.

Por outro lado, o Messias era esperado da linhagem do Rei Davi, o que foi devidamente observado pela preocupação de se traçar a genealogia de Jesus a partir daquele. No entanto, o Messias aguardado pelo povo de Israel era aquele que pegaria em armas para libertar seu povo da opressão romana, e não uma pessoa simples, nascido de família simples, com ensinamentos de paz e amor ao próximo.

Marcos

O Evangelho de Marcos é datado entre 65 e 70 d.C., tendo sido escrito para o povo romano. Seu autor é dado como João Marcos, que, apesar de não ser apóstolo, era um dos discípulos oculares dos feitos de Jesus.

Percebe-se ser o menor dos evangelhos, contendo apenas 16 capítulos, mas com detalhes e descrições pitorescas como a “relva verde”, relatada em 6:39, quando da multiplicação dos pães; também quando Jesus foi preso, relata a fuga de um jovem desnudo, que teria sido o próprio Marcos.

Nota-se que as passagens vão rapidamente de uma cena para outra, sendo um Evangelho onde a ação tem maior relevância do que as referências ao Antigo Testamento, apesar das profecias não terem sido completamente abandonadas, como podemos notar em 1:2-3.

Por ter sido escrito voltado aos romanos, que não davam a mesma importância à descendência como acontecia com os judeus, a genealogia de Jesus foi completamente omitida. Os romanos, por serem conquistadores, voltavam-se mais ao poder, o que fica muito claro quanto a esse aspecto do Evangelho, nas diversas demonstrações do poder divino demonstrado por Jesus, tais como o de cura em 1:29-31, 1:40-42, 7:31-35, inclusive a cura à distância da filha da mulher grega (chamada cananéia por Mateus) em 7:24-30, expulsão de demônios em 1:32-34, 9:14-29; poder sobre a natureza quando da figueira sem frutos em 11:13-14 e 20 e quando acalma a tempestade em 4:35-41.

Outro ponto interessante é que Marcos enfatiza Jesus como o verdadeiro Senhor, quando, logo no primeiro versículo, afirma: “1:1 Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.”.

Lucas

O Evangelho de Lucas, o médico, segundo os estudiosos, foi escrito entre 64 e 70 d.C. Acredita-se que pouco tempo depois teria escrito também o livro de Atos dos Apóstolos, haja vista a simetria no estilo da escrita desses livros.

Lucas, que escreveu para o povo grego, que valorizava o belo, a inteligência e a filosofia, enfatizou o lado da sabedoria divina de Cristo em seus ensinamentos. A mensagem de Jesus é retratada de forma universal, ou seja, que todos aqueles que crerem na Palavra e nos ensinamentos serão salvos, conforme se pode notar no verso 24:47, quando afirma que em nome de Jesus “se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém”. Assim, o Filho de Deus, o Homem Perfeito, veio para libertar não só o povo Judeu, mas, toda a humanidade.

João

A tradição atribui a João, o discípulo amado de Jesus, como é de se notar em 13:23, o quarto Evangelho da Bíblia. Essa tradição é reforçada pelo fato da riqueza de detalhes que se encontra neste Livro, o que só poderia ter sido escrito por alguém muito chegado, um amigo verdadeiramente íntimo do Salvador.

Sem dúvida, é o Evangelho escrito pra a Igreja, para os recém-convertidos da época, apontando diversas passagens que lhe são exclusivas, como por exemplo, quando Jesus explica a sua missão no capítulo 5:19-47, e quando defende a sua autoridade em 8:21-59. Assim, essas passagens confirmam a divindade do Filho do Homem, retratada no capítulo 1:1-18.

Outro fato que chama a atenção neste Evangelho é ser, no meu entender, o mais belo e profundo entre os quatro, sendo capaz de levar a quem o lê à emoção. O carinho e compaixão de Jesus pelas pessoas são explícitos, quando, por exemplo, da cura do paralítico em 5:6-9, por não conseguir se dirigir ao tanque Betesda. Assim, sabendo da infelicidade do homem, Jesus é quem se aproxima dele e lhe permite a cura.

Outro momento de forte emoção, entre tantos mais, é quando os discípulos perguntam quem havia pecado para que o homem fosse cego de nascença (ele ou os pais?). Jesus lhes responde que nenhum deles havia pecado, mas o motivo da cegueira era para que “as obras de Deus”, nele se manifestassem (9:1-7).

Enfim, é o Evangelho que a cada passagem, nos convida à adoração a grandeza de Deus.

Pastor Evangélico, Advogado, Conferencista Internacional, Facilitador em Treinamentos Empresariais, Empresário, Life, Executive & Professional Coach, Problogger.

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