O Que o Livro de Jó Pode Me Ensinar?

O livro de Jó é um dos que mais me fascinam na Bíblia. A revelação contida nele nos esclarece muito sobre o mundo espiritual e seu funcionamento. Portanto, hoje teremos como base o texto que está em Jó 42:1-2, que diz “Então respondeu Jó ao Senhor: Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.”.

Quando olhamos com mais atenção para a história de Jó temos a certeza de que o homem, na imensa maioria das vezes, não faz a mínima ideia do que Deus faz nos bastidores da vida de cada um.

Todos os seres humanos fazem a mesma pergunta, “Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas?”. Esta é uma velha questão, por vezes difícil de responder em termos humanos, mas os crentes têm uma vantagem, porque sabemos que Deus está sempre no controle (1 Crônicas 29:11), e, não importa o que aconteça, nada acontece por mero acaso. Na verdade, “acaso” não existe no dicionário daqueles que confiam no Senhor.

Jó foi um exemplo claro disso. Ele sabia que Deus estava com tudo sob controle, mas não tinha nenhuma maneira de saber por que tantas tragédias terríveis ocorriam em sua vida. Apesar de tudo, Jó nunca perdeu a fé em Deus, mesmo diante das circunstâncias mais devastadoras.

É difícil imaginar perder tudo que possuímos em um único dia, inclusive a família. A maioria dos homens iria afundar em depressão e até tornar-se propenso ao suicídio depois de um pesadelo como o de Jó. Porém, esse homem nunca vacilou na sua compreensão de que Deus era sensível a sua situação.

Três amigos de Jó, por outro lado, ao invés de confortá-lo, fizeram acusações contra a sua pessoa. Diziam que ele estava mergulhado em pecados graves, e que na verdade, tudo que lhe acontecia era em razão disso: o peso da mão de Deus punindo os seus erros. Mas Jó tinha um relacionamento íntimo e pessoal com o Senhor, e com coragem, declarou: “Eis que ele me matará; não tenho esperança; contudo defenderei os meus caminhos diante dele.”(Jó 13:15).

Outro importante ensinamento no livro de Jó, diz respeito ao vínculo que se estabelece com o casamento. Satanás declarou guerra a Jó para provar que a sua fidelidade era em razão das bênçãos que recebia de Deus e não por amor verdadeiro. O Senhor permitiu a Satanás testar a fé daquele herói, mas havia estabelecido o limite de que não lhe seria possível tocar em sua vida (Jó 1:12). Por outro lado, Deus declara que o casal forma “uma só carne” (Gênesis 2:24) e, portanto, devido a esta ligação, Satanás foi proibido também de tirar a vida da esposa de Jó. Ela, obviamente, não tinha fé como seu esposo, pelo contrário, seus conselhos eram no sentido de “amaldiçoar a Deus e morrer!” (Jó 2:9). O que poupou essa mulher da morte não foi a sua confiança em Deus, mas sim, o vínculo matrimonial que tinha com Jó. Espiritualmente era considerada a mesma carne de seu marido, e por isso, Satanás não tinha como alcança-la na sua sede de destruição.

Apesar da morte de seus filhos, a perda da sua fortuna e o tormento físico que se seguiu, considerando ainda a perseguição dos “amigos”, Jó não vacilava em sua fé. E isso nos leva a refletir: quantas vezes vacilamos por bem menos?

Lado outro, a profundidade espiritual de Jó é indiscutível. Jó tinha em seu íntimo a certeza do Messias, o Salvador que viria fisicamente ao planeta (Jó 19:25). Ele entendeu que os dias do homem são determinados (quantificados), e que não podem ser alterados (Jó 14:5). Descreveu ainda a experiência da salvação, como sendo um entre os homens, destinado à eternidade no “poço”, resgatado e redimido por um Deus misericordioso que brilha Sua luz sobre eles (Jó 33:23-30).

Observamos também alguns fatos científicos que só seriam comprovados milhares de anos mais tarde, descritos com precisão. Escreveu, por exemplo, que a Terra é redonda muito antes que alguém pudesse pensar nisso, referindo-se a “abóbada dos céus” (circunferência em outras traduções) – Jó 22:14. Falou da existência dos dinossauros, que viviam não antes da criação do homem, mas lado-a-lado com ele, como afirma em Jó 40:15: “Contemplas agora o beemote, que eu fiz contigo, que come a erva como o boi.” (Bíblia Online – Almeida Corrigida e Revisada Fiel – http://www.bibliaonline.com.br/acf/j%C3%B3/40).

O livro de Jó nos dá um vislumbre por trás do véu que separa a vida terrena da celestial. No início do livro, vemos que Satanás e seus anjos caídos ainda tinham algum acesso ao céu, entrando e saindo das reuniões que ali acontecem. Além disso, mostra como Satanás é o verdadeiro “acusador de nossos irmãos”, como está escrito em Apocalipse 12:10. Mostra também a sua arrogância e orgulho, como diz Isaías 14:13-14. É incrível como Satanás tem a audácia de desafiar a Deus, sem mostrar escrúpulos ou qualquer respeito pelo Senhor. E parece ainda ignorar totalmente a advertência de Mateus 10:28 “não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.”, referindo-se a abrangência do poder do Senhor.

Talvez a maior lição que possamos aprender do livro de Jó seja que Deus não tem que responder a ninguém pelo que faz ou deixa de fazer. A experiência de Jó nos mostra que momentaneamente podemos não saber o motivo para um sofrimento específico, mas temos que confiar em nosso soberano Deus, Santo e Justo, cujos caminhos são perfeitos (Salmo 18:30). Se cremos que os caminhos de Deus são perfeitos, podemos confiar que tudo o que Ele faz (ou permite acontecer) também é perfeito, com um propósito que somente a Ele interessa. Isso pode não ser fácil para nós, cujo entendimento é limitado, mas devemos ter confiança inabalável nas decisões do Senhor. E devemos lembrar que nunca entenderemos Sua mente de forma completa, pois Ele mesmo nos adverte que os Seus “pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos do seus pensamentos ” (Isaías 55:8-9). No entanto, a nossa obrigação para com Deus é a obediência à Sua Palavra. Confiança e submissão à Sua vontade, entendendo-A ou não.

Quando finalmente atingirmos esse nível de maturidade, vamos ver com mais clareza a grandiosidade do nosso Deus e também, como Jó, poderemos dizer: “Antes Te conhecia de ouvir falar, mas agora Te conheço face a face” (Jó 42:5).

E você, quais as suas experiências com o Livro de Jó?

Pastor Evangélico, Advogado, Conferencista Internacional, Facilitador em Treinamentos Empresariais, Empresário, Life, Executive & Professional Coach, Problogger.

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