Os Pastores Que Se Auto Apascentam

A Obra de Deus é algo muitíssimo séria. O Senhor, por meio do profeta Ezequiel, no capítulo 34, trata especificamente dos pastores que se auto apascentam. Nos versos 8 a 10, está escrito: “Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e se tornaram pasto para todas as feras do campo, por não haver pastor, e que os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas; portanto, ó pastores, ouvi a Palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Deus: eis que Eu estou contra os pastores e deles demandarei as minhas ovelhas; porei termo no seu pastoreio, e não se apascentarão mais a si mesmos; livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que já não lhes sirvam de pasto.”.

O termo usado é “auto apascentar”, ou seja, Deus está falando dos pastores que ao invés de se preocuparem com o Seu rebanho (o seu povo), dar amor, proteger e indicar o Único Caminho Seguro, cuidam, irresponsavelmente, dos seus próprios interesses. Homens e mulheres que deixam as ovelhas se machucarem, se perderem, ser tragadas pelas bestas feras e ainda por cima se enriquecem ilicitamente às suas custas.

Às vezes ouvimos noticiários que nos deixam tristes, senão indignados. Infelizmente, não são raros os casos em que aqueles que se dizem servos do Altíssimo são pegos em escândalos, no mínimo, muito constrangedores. Foi exatamente o que aconteceu recentemente, sendo levado a público uma matéria sobre o líder de uma grande denominação evangélica que, supostamente, usou dinheiro da Igreja para adquirir ostentosos bens pessoais, nomeadamente, duas fazendas milionárias que juntas, totalizam aproximadamente R$50 milhões.

Por outro lado, essa mesma denominação se abstém de honrar com o pagamento dos aluguéis de alguns dos imóveis utilizados como templo, e o seu Líder teima em tentar desmentir registros públicos que sustentam as acusações. E ainda assim, mantém programas na TV e levanta mais ofertas dos fiéis.

Sendo Pastor, além de ouvir piadas desagradáveis sobre a situação, as pessoas acham que somos todos iguais, “farinha do mesmo saco”, como dizem por aí, o que, de fato, não é verdade.

Para essas pessoas é que escrevo esta semana. Não em tom de confronto, mesmo porque essas coisas em nada me atingem, mas, em explícita defesa do Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo.

Primeiramente, há de se ter por norte que Jesus, o único e suficiente Salvador, o Deus Filho, Justo e Perfeito em todas as coisas, nada tem a ver com esses escândalos. De Gênesis a Apocalipse, o Senhor reprova expressamente a atitude de pessoas que se aproveitam do Ministério para lesar os fiéis.  Isso é coisa de homens mal intencionados, egoístas e gananciosos, que se não fosse dessa maneira, lesariam seu semelhante de outra forma, talvez, pior.

Essas situações vêm a público para que se cumpram as Escrituras, que afirmam: “Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado.” (Marcos 4:22). Foi o próprio Jesus quem disse isso. Ele não tem nada a esconder na Sua Igreja. Sim, a Igreja é de Cristo e não do homem, apesar de alguns se comportarem como se dela fossem donos. Não há nada que se faça de vergonhoso na Sua obra que não seja plenamente revelado. As pessoas que pregam a Sua Palavra deveriam saber disso (e sabem!). E esse fato também demonstra a inquestionável honestidade e natureza irrepreensível do caráter de Deus, ao permitir vir a público todas essas coisas. Com o Seu poder, ficaria muito fácil simplesmente encobrir as falcatruas daqueles que agem em Seu nome, mas se agisse assim, iria contra sua Santidade e Justiça, e isso Lhe seria impossível.

Jesus nos alertou expressamente sobre os escândalos. Em Lucas 17:1-2, está escrito: “Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos.”. Os “pequeninos” são todas as pessoas enganadas, principalmente aquelas que estão dentro da Igreja. Alguém duvida dos cuidados de Deus para com o seu povo? Ai dos pastores que apascentam a si mesmos!!

A única justificativa que consigo encontrar para atitudes de certos pastores é que abandonaram completamente a sua crença. É claro que a questão espiritual prevalece (e não entrarei por este campo neste momento), mas, a explicação humana é que já não temem a Deus, nem acreditam naquilo que pregam. E isso também é cumprimento da profecia do “princípio das dores”. “Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.”, mas Jesus conclui de forma sublimar: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.” (Mateus 24:10-13).

Por isso, no dia do Julgamento de Deus, haverá muitos que dirão a Jesus: “Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:22-23). E Jesus completa “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu pai, que está nos céus.”(Mateus 7:21).

Importante deixar claro que os Textos Sagrados afirmam, inequivocamente, ser impossível a qualquer um servir a dois senhores ao mesmo tempo. Pois, ao servir a um, o outro ficará aborrecido (Mateus 6:24). Ora, quando se faz algo que Deus não mandou, que na verdade expressamente reprova, certamente não se está servindo a Ele. Portanto, pode-se estar servindo a qualquer outro senhor, mas a Deus não é. Expressamente, o Texto diz: “Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (a propósito, eu creio na prosperidade que vem de Deus).

Ao permitir que tudo isso venha à tona, a vergonha e responsabilidade recaem não sobre Deus ou Sua Obra, mas, exclusivamente sobre os ombros daqueles que agem como se estivessem loucos. Pessoas de má índole são encontradas em todos os ramos da sociedade. Tenha certeza que assim como existem bons e maus juízes, médicos, políticos, empresários, boas é más pessoas, padres honestos e outros pedófilos, também existem, além dos maus, bons pastores, que temem o peso da mão de Deus sobre suas vidas e que são realmente preocupados com o rebanho do Senhor.

Sobre o caso concreto, apesar de outros pensarem de forma contrária (e eu respeitar), não quero atrair o pecado do julgamento indevido sobre a minha vida (Mateus 7:1). E farei minhas as palavras de Davi “que Deus me livre de tocar na vida de um dos seus ungidos” (1 Samuel 24:6) (quem sou eu para afirmar que ele não é?). Por isso, prefiro não divulgar a minha opinião. Quero deixar expresso que não estou fazendo acusações nem reprimendas contra ninguém em específico, mas dando um alerta aos pastores, bem como um alento aos nossos leitores de forma geral.

Sou o tipo de pastor que crê veementemente que Deus está no controle de todas as coisas. Ele não dorme (Salmo 121:4)! Creio também que ainda que seja verdade tudo que foi dito, apenas Jesus, o Justo Juiz (2 Timóteo 4:8) e ao mesmo tempo Advogado (1 João 2:1), tem competência para julgar os atos, não só desse tipo de pastores, mas, de todos nós.

Certo é que ninguém precisa se indignar com a situação. O Ministério Público Federal, segundo informações veiculadas pela TV, já tomou as medidas legais cabíveis e as responsabilidades serão apuradas e devidamente punidas. A justiça do homem, ainda que falha e perversa será feita. E a de Deus, a seu tempo, também.

Lembre-se: o nosso modelo é sempre Jesus, o único e verdadeiro bom Pastor (João 10:14-15). E fique em paz.

Pastor Evangélico, Advogado, Conferencista Internacional, Facilitador em Treinamentos Empresariais, Empresário, Life, Executive & Professional Coach, Problogger.

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